Pimentos de Inverno

Acabados de colher na varanda 🙂 fruto de uns pés de pimenteiros que deixei ainda na terra.E com tempo todo trocado que andou, numa varanda virada a sul…ao sol, abrigado, deu nisto:

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Aproveitar água em casa

Água.

Temos hoje em dia o fenómeno de abrir a torneira e sair água.Muitos desconhecem, donde vêm, como vêm e para onde vai.Por isso nos habituamos a tê-la. E passamos a ver a água que corre para o cano, como algo que acontece e não como uma forma  de litros e litros de água, desperdiçada, tão bem essencial…E este ano, parece não querer aparecer…estamos à mais de 1 mês sem chuva…é um aviso bem grande, um sinal para aqueles que ainda não perceberam que é URGENTE, mudar como usa-mos a água. O desafio passa  por arranjar forma de reutilizar e aproveitar e devolver, o mais  natural possível…porque depois é assim que voltará a nós. Pois as estações de tratamentos não fazem milagres….desenganem-se. Percebe-mos que poupar água é para além de um benefício na conta ao final do mês, é também nas reservas naturais para amanhã.

Na cozinha, aproveito a água :

– que lavo os vegetais, para a rega, pois pequenos detritos que vão junto com ela ajuda adubar as plantas.

– que lavo a loiça (com detergente ecológico), como no enxaguar, ou seja toda a àgua “suja”, para substituir  as descargas da sanita, em vez de ir pelo cano da cozinha.  Consigo por norma ao lavar uma loiça de refeição principal, encher um balde. Que dá para mais ou menos 2 descargas no WC. Assim nunca acumulo muito tempo esta água, e substituo a do depósito (onde já tenho um garrafão para reduzir quantidade de água numa descarga normal), que é limpa.

Na casa de banho:

– quando espero que a água do duche aqueça, recolho da torneira com uma pequena garrafa de 1,5 l cortada a servir de funil, para um garrafão de 5 l. Chego a encher um garrafão de uma vez! (tudo depende da canalização e do esquentador de cada casa) Essa água depois posso utilizar para tudo, desde regar, lavar…por isso tenho garrafões ao lado da banheira sempre prontos. É incrível o que consigo juntar…de água limpa.

Seja como for podemos arranjar mil e umas estratégias para a aproveitar e utilizar…e no fim ficamos todos a ganhar.

Por isso, pensa nisso, experimenta e vê.

Lentilhas germinadas: comer e plantar

Depois de ter posto lentilhas verdes de molho, de um dia para outro, supostamente para uma bela sopa…pensei…porque não tentar germina-las para fazer uns belos rebentos para salada?

E assim foi, escoei a primeira água de molho, deixas ficar com apenas humidade, tapei-as com um pano por cima. Fui repetindo todos os dias, passar por água, tapar  e …puff! Fizeram-se em rebentos. Percebi que não era assim tão difícil de germinar. Claro a temperatura do local e a qualidade das sementes vai variar a velocidade da germinação, mas nada como experimentar.

O entusiasmo era tanto de ter conseguido, que deixei as crescer….a um ponto que estavam tantas sementes germinadas, com um emaranhado de raízes…

E agora? tinha em minha posse tanta vida verde, que decidi experimentar e planta-las.

Deparei-me rapidamente com um problema, falta de espaço para tanta futura planta. Decidi plantar então algumas, em vasos cá por casa e o resto oferecer.

Primeiro tentei o método de separar com cuidado do emaranho de raízes e dispor uma a uma na terra.

Segundo tentei abrir espaços contínuos paralelos no vaso (desculpem mas meus termos agrónomos não são os melhores), distribuir os  rebentos e tapa-los.

Apercebi-me que o primeiro método é muito trabalhoso e nada fácil, além de que a lentilha assim germinada, as raízes são muito frágeis, acabando-se por partirem com facilidade, mesmo que a terra seja fofa, porque tenho que os enterrar com mais profundidade. E uma semana depois os rebentos sozinhos parecem muito frágeis, assim isolados.

Já o segundo método proporcionou poucas dores de costas :), estou a brincar, mas sim acaba por ser mais fácil, para quem tem tempo cronometrado, além de dispor-se mais rebentos, a uma profundidade mais estável e mais juntos parecem conseguir desenvolverem-se melhor.

E  é verdade, a terra que utilizei foi uma que já tinha em casa de plantações anteriores, com novo húmus misturado, poucochinho, porque pelo que sei, estas plantas vão ajudar a enriquecer o solo para as futuras plantações.

Mas sem duvida para plantar lentilhas ou outras leguminosas, eu acho que é melhor sem duvida por de molho, depois apenas deixar germinar um pouco a semente, tipo quase só a se ver a ponta da raiz  e depois terra com ela! Para comer têm um sabor muito forte e pode ser não agradável para paladar de muitos.

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Um Fim e Um Começar

Bem após um ano de experiências, hoje é um fim e um começo. Um fim de uma primeira tentativa de descobrir como quais e se é possível criar plantas numa varanda em meio urbano. Um começar de uma nova época de trazer vida verde a casa. Apesar de não ter partilhado em simultâneo aqui, tudo que fiz e às várias etapas, faço agora um pequeno resumo de algumas coisas do que compreendi aprendi e descobri.

– As batatas doces são muito resistentes, umas trepadoras natas e invasoras de outros vasos, quando damos por elas estão a rebentar dos vasos onde uma haste seca da planta aparentemente inocente poisa sobre eles. Desta vez não consegui obter batatas doces para comer, apenas umas pequenas formas que ficaram para semear, calculo que tenha sido mal calculado o tempo da apanha. Uma coisa muito boa a rama da batata doce fez, atraiu as lagartas para as suas folhas e deixando as outras plantas mais livres do ataque.

– As aboboreiras, precisam de sol e calor sem dúvida, para abrir a flor, teve que estar em contacto com sol directo, dai o melhor sitio, foi no parapeito da varanda. Além de terem atraído abelhas, o que para mim pareceu uma miragem na cidade. São plantas que apanharam fungos, míldio acho eu, o que levou a uma destruição da planta, numa fase pós produção de abóboras, poderia ter aplicado uma calda de enxofre, mas optei por deixar estar. Como gosta de calor, nada de molhar as folhas felpudas, isso é um perigo para as doenças. Mas sim é uma planta de que certeza, voltarei a plantar, porque é divertido estar à espreita da biodiversidade que ela cria e é possível te-la em vasos…podemos não ter muita produção, mas vale a pena.

– Os pimenteiros foram um desafio, ainda estão vivos, após muitas investidas de pragas, mas a natureza lá resolveu por si só, já os pimentos, tive dificuldade em conseguir também uma boa produção apesar da flor imensa, falta de polinização? talvez, apesar dos muitos insectos que havia em redor. Mas os pimentos que cresceram acabaram por não desenvolver muita semente. Eis um mistério que preciso de aprofundar.

– A beringela, essa foi difícil, apenas consegui uma, que ficou para semente, confesso tive dificuldade em perceber quando era a melhor altura para apanhar, porque como crescia mais um pouco e depois qual seria o tempo de maturação? Mas um planta também possível, que sofre também muito com as intempéries de pragas….

– O tomateiro, deu alguns tomates chucha, precisa de sol sol, senão a flor não abre e é uma planta resistente, ainda existe, após ter sido, também foi atacada por um fungo. E é divertido ver aqueles tons vermelhos a surgir do verde na cidade…

– é importantíssimo a cobertura verde…e no verão de alguma forma criar maneira de reter agua no vaso, pois a água desaparece muito facilmente.

– nunca mais repetir….gerir bem a localização das plantas, conforme elas gostam do sol, de muita humidade e do vento.

– tenho duas árvores, mas não gostaram de estar em vaso, lá estão a sobreviver, mas ainda não as percebi. Com o tempo fui pesquisando e espero agora acertar. A amendoeira rebentou por baixo maior parte dos ramos e apenas pouco por cima, cortei os debaixo a pensar que assim daria força para os de cima, mas ela estagnou, e voltou a rebentar por baixo…mas uma dica, não as comprem no hipermercados, porque ela deveria vir já morta, porque pensei que estava latente e dos ramos que tinha nenhum vingou.  Essencialmente temos que ter atenção aonde as adquirimos, se têm doenças visíveis, e como reagem, porque nos mandam mensagens…como esta amendoeira. Ela parece que não tenha gostado do vento também, pois ficou exposta num canto mais agreste. Quem se deu bem, foi a salva que está no seu vaso, lá está.  A tangerineira também reagiu de forma estranha, não houve flores e também o tomilho foi quem se deu bem no seu vaso. Será da terra? também pode ser. Vai ser um outro desafio este ano, porque claro que não vou deita-las fora, são vida, vou as tentar entender e proporcionar bem estar, pois são importantes. Já houve uns pardalitos que se atreveram em poisar nos frágeis ramos delas.

– por fim os vasos, os caixotes de fruta forrados de plástico, conseguiram reter água, mas apodreceram, deram espaço a novas vidas de alguma forma, mas tive que recorrer a um medidor de humidade para perceber se poderia encharcar a planta sem perceber, porque a superfície da terra estava demasiado seca, por falta da tal camada verde. Mas são sem duvida óptimas hipóteses para ter um rectângulo de terra para cultivar, é acessível material e pode-se reinventar de mil e uma formas. Quem agradeceu foi a osga que me visitava de vez em quando.

Agora está na hora de começar.

Será uma horta o mais natural possível, quase selvagem se conseguir.

Novas experiências farei, novos espaços verdes.

O objectivo vai-se estender ainda mais para além da varanda…quero criar um lar verde, não só por cultivo, mas também por uma maneira de estar, de viver.

Foi algo que a permacultura fez, abriu um novo capitulo 🙂

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Batatas da varanda

Colheita batatas julho 2011 by Gaiata
Colheita batatas julho 2011, a photo by Gaiata on Flickr.

Após tempos de espera…eis o resultado da colheita da primeira experiência, ao plantar batatas brancas na varanda. Abundância não foi muita, mas fiquei surpreendida, com facto de pouco ter cuidado das plantas e mesmo assim ter este resultado. Agora é melhorar…e continuar.
Apesar de Batata não ser muito presente na minha alimentação, é bastante fácil criar na varanda. Arranjei um caixote alto, e largo, furei com berbequim todas as faces, de forma a criar uma boa arejem, misturei a terra com bom composto biológico, e areia, para drenar bem. Estes aspectos são muito importantes. São aqueles que terei que melhorar para a próxima, porque mesmo assim o fundo estava um pouco húmido demais…e as batatas do fundo ficaram estragadas.
É verdade utilizei como semente as batatas do supermercado que tinha em casa já arrebentadas…ao contrario que me tinham dito que não ia dar nada…olha aqui está em primeira mão, batatinha nova 100% natural.

Abóboras crescidas

 

Finalmente consegui que algumas das flores fêmeas desenvolvessem-se em abóboras…tenho no conjunto 3, duas de manteiga e uma que não sei o nome, mas foi semente que me trouxeram do Algarve…e parece ser a maior…
Porém…como estão entrelaçadas no parapeito da varanda, deparei-me com alguns pormenores técnicos…como, criar estabilidade para crescerem… criei numas bolsas suspensas, e noutra plataforma de madeira…
os materiais foram muito simples: utilizei a rede que vêm das batatas, cebolas que compramos, e corda de sisal, a madeira era de um movel antigo desmonatado…claro está tudo ainda muito experimental…e um pouco arcaico…vamos ver…

 

Abóbora manteiga suspensa

 

Infelizmente tive alguns percalços, pois na abóbora maior, que até era a que estava mais aconchegada, mas sem perceber porque, dei com ela caída, com sorte dentro do caixote, partiu algumas pernadas, mas a principal apenas ficou rachada…vamos ver o que vai ser…
já me disseram que tinha sido a vizinha de cima que sacudiu os tapetes de forma que bateu nas plantas…ainda pensei que poderia ter sido do peso e ter rolado…mas todos os dias ia a monitorizando, já por causa disso, e nem vento estava, bem…
seja como for…conselho: pedir com gentileza aos vizinhos de cima (se tiverem) que têm uma horta em baixo, só no caso de sei lá lembrarem-se de atirar tapetes enormes, ou produtos toxicos…

 

Abóbora algarvia antes de cair

Abóbora algarvia depois da queda, resgatada .

Assim partiram 20 anos…

Infelizmente ao longo da minha vida, tenho visto, partirem árvores que me fizeram companhia…não por motivos de doença, mas mesmo por luxos urbanisticos…tipo ai e tal não davam jeito estar ali….não é justo que isso aconteça…

Mas…quero falar dela, primeiro.

Era uma amoreira urbana…daquelas bravas, que ficam mais arredondadas,  dão algum fruto, mas uma coisa boa, é que aqui as árvores dão sempre mais fruto :)… estava no passeio, junto às suas irmãs, que percorrem a avenida toda. Foram colocadas pela câmara municipal, dai estarem legalizadas, e supostamente bem localizadas, digo isto porque para se plantar uma árvore, tem que haver um plano, não é? senhores engenheiros?

Durante anos e anos foi lutando para crescer, e este ano, felizmente não lhe tinham feito uma poda muito agressiva. E estava linda…em frente à minha janela e da vizinha do lado,  permitia que quando abri-se a janela de manha pudesse me deslumbrar com o verde e alguma privacidade do prédio em frente.

Para além de ser um festival de vida, quando começam a dar fruto, é ver variada espécies de aves a migrarem para este recanto…este ano, para além dos milhares de pardais, apareceram melros, mochos e outros que não sei os nomes, como as arvores tão perto de onde vivo, o meu periquiro, passa tardes em tertulias com eles. E eu e a minha gata observamos bem quietas, os seus comportamentos…digamos que tinha um verdadeiro national geographic.

É interessante ver a vida que existe mesmo tão perto de nós. Desde miuda que o fazia…em especial quando tinha a minha amoreira mansa…essa estava quase mesmo mesmo colada às janelas, e dava tantas amoras, que os ramos pendiam do peso, eram mais amoras que folhas….mas também foi cortada, à 8 anos atrás…essa era ilegal…foi ilegal com 21 anos, plantada pelos moradores…nunca se queixaram..até lhes fazer incomodo, os carros com as amoras, e claro falta de espaço para estacionar…

Para além que estas árvores, purificavam o ar, que contribuiam para a minha horta urbana…

Mas que fazer com a mentalidade das pessoas por aqui? Por exemplo a vizinha que tinha também tinha a arvore em frente, falava toda contente, por terem-na cortado….porque já podia estender a roupa e não tocar na arvore…ora em vez de cortar toda, não podeiam apenas podar os ramos que a incomodavam? não percebo o seu desaparecimento, nem dá para estacionar carros naquele canto…qual a maldita explicação desta vez…

mas será que não viu um ninho de pardais lá….ou valorizar a presença de uma árvore…?

Isto para dizer, que foi o inicio da matança….os moradores querem cortar todas as árvores que estão no parque, as que fazem “alergias”….já circula uma petição para o abate…posso vos dizer….não ponho em causa, as pessoas terem problemas alérgicos com o pólen de algumas arvores…mas existem outras estratégias, para além de as cortar…alias este jardim lindo não existeria, se não fosse um senhor que já não mora aqui , que em pequena me inspirou com a sua varanda…era um autentico éden, cheio cheio de vida e plantas, e foi ele que lutou, mas principalmente deveria ter alguma influencia, porque evitou na altura à 20 anos, que neste espaço fosse construído um edifício…porque aqui para os moradores, era igual ao litro.

Agora as casas novas, são valorizadas, por terem espaço verdes, vistas para a natureza…aqui que o têm, querem acabar…

Resultado…não sei que posso fazer para mostrar à câmara municipal…o desastre que será…

Enfim…o que posso agora fazer, por cada que cortem, eu planto em casa…já tenho duas, uma amendoeira e uma tangerineira.

Deixo aqui duas imagens, uma é da amoreira abatida, outra é da vista por agora ainda viva da minha janela…

em tempos amoreira...

A minha vista da janela...por agora...isto é uma pequena praceta rodeada de prédios...quem diria não é?